PARA REFLEXÃO – MENSAGEM DO LIVRO CAMINHO, VERDADE E VIDA

TRABALHO

Em todos os recantos, observamos criaturas queixosas e insatisfeitas.
Quase todas pedem socorro. Raras amam o esforço que lhes foi conferido. A maioria revolta-se contra o gênero de seu trabalho.
Os que varrem as ruas querem ser comerciantes; os trabalhadores do campo prefeririam a existência na cidade.

O problema, contudo, não é de gênero de tarefa, mas o de compreensão da oportunidade recebida.
De modo geral, as queixas, nesse sentido, são filhas da preguiça inconsciente. É o desejo ingênito de conservar o que é inútil e ruinoso, das quedas no pretérito obscuro.
Mas Jesus veio arrancar-nos da “morte no erro”. Trouxe-nos a bênção do trabalho, que é o movimento incessante da vida.

Para que saibamos honrar nosso esforço, referiu-se ao Pai que não cessa de servir em sua obra eterna de amor e sabedoria e à sua tarefa própria, cheia de imperecivel dedicação à Humanidade.

Quando te sentires cansado, lembra-te de que o criador está trabalhando. Começamos ontem nosso humilde labor e o Mestre se esforça por nós, desde quando?

“O BAMBU SAGRADO E O AMOR DE KITEMBU E MATAMBA”

Existe uma lenda que diz que Kitembu gostava de virar o tempo com o intuito apenas de ver Matamba soprar seu vento. No entanto na verdade Kitembu era apaixonado por Matamba, porém ambos orgulhosos de si não prestavam atenção em seus “muximas” (corações) e cada qual lutava para ser mais poderoso que o outro.

Mas Matamba adorava fazer charme era muito vaidosa e adorava ser cortejada mais sem dar muita atenção acaba por ferir os sentimentos de Kitembu.

Porém acontece que Matamba cuidava de seu reino e detinha uma força descomunal uma verdadeira rainha e não se curva a Kitembu que enfurecido por não conseguir a sua atenção, resolve ir embora e sair das terras de Matamba.

E então o dia amanhece e ao perceber a falta de seu amado sem ter com ele conversado fica enfurecida e procura sem sucesso Kitembu por todo o canto de seu reino.

E então Matamba suspeita que kitembu poderia estar escondido pela floresta resolve soprar seu vento o mais forte que consegue e com essa atitude de cólera, Matamba acaba por derrubar toda a floresta de suas terras fazendo com que as plantas se curvem e quebrem, os animais que dela dependem, saiam também das terras a procura de outras florestas.

E então terra torna-se árida em plantas e bichos, um verdadeiro deserto ,tudo isso por causa de uma fúria descabida de matamba, fato esse que acaba trazendo fome e miséria ao seu povo.

E Nkosi que a tudo observa da montanha, desce para saber o que houve e ao avistar Matamba, pergunta-lhe o que está ocorrendo em suas terras.

E Matamba explica meio sem graça que tudo é por causa de Kitembu que foi embora sem nem mesmo avisá-la e conta para Nkosi de seu amor a Kitembu.

E então Nkosi como o grande protetor diz que irá ajudá-la procurando Kitembu e trazendo-o de volta, mais como se fazia noite e a pressa era primordial para evitar mais sofrimento aos humanos, Nkosi chama para ajudá-lo Nzazi para que com seus raios ilumine o caminho dando condições de Nkosi seguir viajem a procura de Kitembu.

E no mundo ninguém era mais rápido que Nkosi, pois conhecia todos os caminhos e valia-se do poder da transformação, podendo transforma-se em um Leão e obter maior velocidade ainda.

E então Nzazi o faz, começa com uma tempestade de raios tão intensa que toda terra de Matamba se ilumina.

Dia e Noite Nkosi segue a trilha deixada por Kitembu em suas passagens, até que o encontra.

E ao Perceber a tristeza do amigo chega-se devagar e conversa, dizendo que tudo não passou de um mal entendido e que Matamba nutre por ele muito amor, porém não omite que pela atitude de ambos culminaram em um estrago de proporções catastróficas, matando toda floresta e criando desespero e fome entre animais e humanos.

E ocorre que Kitembu volta de certa forma furioso, pois não pensou no mal que sua atitude poderia trazer as pessoas, mas contente por saber que Matamba por ele sente algo.

Ao chegar no local e verificar tanto estrago, Kitembo determina que para salvar o local, haveria a necessidade da união de todos, pois o trabalho era por demais devastador.

Assim o fizeram, todos os Minkisi se apresentam e em reunião decidem como fazer a terra voltar ao seu estado e as pessoas voltarem para ela.

E então cada nkisi começa fazer sua parte , Katende traz as sementes das ervas e plantas que morreram para repovoar a floresta, Kabila se encarrega de formar os rebanhos e guiá-los de volta as terras, Angorô se encarrega de transportar a água para as nuvens, Nzazi junto a Matamba ajuda a fazê-las cair, Mpambu Njila, fica nos caminhos para ajudar a guiar os que estão voltando, Mutakalambu trás de volta as abelhas para ajudar a polimerização das novas plantas que surgem, Ndanda Lunda se encarrega de reconstruir os rios e cachoeiras, Kaia, pede as Kiandas suas primas para que empurrem os peixes do mar de volta aos rios, E Nsumbu se encarrega de tratar dos desfalecidos e cansados pela fome, servindo-lhes na folha de mamona várias iguarias, e assim se segue com outros Minkisi, cada qual fazendo sua parte e ajudando a remontar as terras de Matamba.

Mas a tragédia foi tão grande que muitos que voltaram eram crianças e não sabiam bem o que deveriam fazer, não sabiam caçar, nem pescar, não sabiam lidar com madeira, não sabiam cultivar, teriam que aprender e rápido, para que o grande criador Nzambi Mpungu, não chamassem a todos para o duílo (Céu) de

volta.

Por mais que trabalhassem colocando os Nvunji com as crianças, Nzambi veio a saber da tragédia.

Nzambi desce até o Ixi (Terra), para se ter com os Jinkisi, convoca-os para uma reunião para dar sua determinação.

Após acertarem detalhes, Nzambi parte para o duílo outra vez deixando suas pegadas em uma das rochas ainda quente da reconstrução, pois de tantos raios que Nzazi mandou acabou por esquentar o local a tal ponto que até as rochas derreteram.

Após a determinação dada por Nzambi, o reino de Matamba é dividido em nove aldeias e cada qual irá cultuar agora seu próprio Nkisi evitando assim a catástrofe repetir.

E então Kitembu providencia algo para relembrar a força da união, pede a Katende que traga para ele uma determinada semente, e planta ela informando que será um símbolo seu e de Matamba.

E esta semente é tão especial que cresce rápida uma ao lado da outra, porém não é nenhuma árvore como todos pensavam,era algo diferenciado.

E então perguntam a Kitembu que porcaria de semente é aquela que não dá frutos para matar a fome do povo,

E acontece que Kitembu ri, e diz, este é o Bambu e este é o símbolo da união, cada gomo dele representa um de vocês, e ele será o símbolo de nossa Nação, com ele o povo poderá construir casas rapidamente, construir móveis para suas casas, construir ferramentas e material de caça, como o arco e fecha, a lança, vara de pescar e pulsares de pescas, tochas para iluminação, ponte para atravessar os rios ou mesmos barcos, poderá fazer seus utensílios domésticos como colheres, pratos, copos, poderá criar cercas, pra manter seu rebanho longe dos perigos da floresta, cestos, esteiras, e ainda as mulheres poderão fazer suas pulseiras e ficarem bonitas além de brinquedos para estas crianças.

Portanto ele é fácil de ser manuseado e flexivel, e terá a representação do poder de vida e de morte, pois nem mesmo com a pior das tempestades ele irá quebrar, ele simplesmente se curva e flexível não quebra.

E é nele que Matamba deixará sempre as oferendas para aqueles que morreram, e será responsável por aliviar seus sofrimentos.

Todas as aldeias que participavam também dessa reunião de apresentação, adoraram o Bambu.

E diante de tanta sabedoria e satisfeitos com a dedicação por parte de todos os Minkisi, mas principalmente pela inteligência de Kitembu, em sua homenagem para que ele sempre saiba onde eles estão, usam o Bambu mais alto para por uma bandeira branca e rezam para Kitembu, para que sempre os guiem em direções boas.

Hoje sabemos que o Bambu é uma “madeira” ecologicamente correta, pois não é necessária a destruição da natureza para se ter grandes quantidades de Bambu.

O BAMBU é de fácil plantio e cresce em grande velocidade , serve realmente para tudo. É reconhecido como o aço vegetal por sua força em estruturas.

E então os ekanda Bantu nunca mais passaram por desespero, pois podem contar que estão sempre sendo observados por Kitembu. E por isso toda casa de candomblé angola que se preze não pode faltar o assentamento de kitembo e seu BAMBU E BANDEIRA representativos ,que são o verdadeiro nguzu de KITEMBU.

“KITEMBU DIA BANGANGA TALENU”

DESENVOLVIMENTO SE DÁ COM O TEMPO

NÃO TENHA PRESSA

 Pontualidade ao início da corrente fraterna. Entregar-se ao trabalho espiritual sem a preocupação com a hora do término.

DESENVOLVIMENTO – Desenvolvimento leva tempo, preparo educação estudo e condição de médium para que esta aconteça. Ao mesmo tempo em que se assisti as entidades, se trabalha.

MATURIDADE – Com o passar do tempo , quando já se compreende o vocabulário espiritual, já se conhece um pouco dos afazeres da casa, seus pontos cantados, seu xirê, suas rezas e seus axés. Provavelmente seu Guia e seus protetores já estão chegando com mais firmeza e provavelmente já terão licença para falar, e trabalhar.

EDUCAÇÃO MEDIÚNICA – conhecer, compreender, disciplina e educação assim como a sua forma de trabalhar, de orientar, os trabalhos que sua entidade é capaz de realizar, para quais ela interage.

PRATICA MEDIUNICA /DICIPLINA – A fase em que suas entidades já trabalha é uma fase onde o médium deve ser firme, e não cair nos vacilos da vaidade, lembrando sempre que a entidade não é propriedade sua, que o mérito é dela sobre as ações e procuras de seus trabalhos e que acima de tudo a entidade não está ali para ser elogiada e sim auxiliar no seu desenvolvimento mediúnico, e na evolução das pessoas que por ali passarem.

CONDUTA e VIBRAÇAO- Como tudo no Universo se move e vibra. Tudo que você vê a sua volta está vibrando numa frequência, assim como você. Tudo tem sua própria frequência de vibração, a mesa, as árvores, as rochas, os carros, até mesmo nossos pensamentos e sentimentos.
Cada escolha que fazermos irá nos ajudar a aumentar ou diminuir a vibração; isto porque somos seres vibracionais, todos os dias estamos em um estado constante de mudança energética; pois a energia nunca permanece a mesma. Nossa vibração espiritual revela nossa condição evolutiva, nosso estado íntimo. Equilíbrio ou desajuste, paz ou violência, calma ou irritação, e outros sentimentos exteriorizam-se através das ondas mentais, energéticas, que cada ser emite. Nossa conduta e vibração determina a qualidade de nosso desenvolvimento e de nossas praticas.

Asé

É uma qualidade de energia latente mobilizada pelo aspecto sensível dinamizado nas relações, daí dizer que é doada.

Energia primordial que promove a vitalidade enraizada do ser humano com o que se tem de mais antigo dentro de si mesmo, o espirito.

É possível de ser “redistribuída” em ritual entre homens e mulheres que saibam conservá-la como dádiva do universo.

De forma sagrada é passada de mãe para filhos, todos a possuem; é relíquia de nascimento selada durante o parto.

Na cultura africana religiosa, esta energia se cultiva, cultua e renova numa dimensão religiosa.

Axé é essencial para manter o equilíbrio espiritual, sendo parte fundamental da conexão entre os praticantes e o sagrado.

O axé tem papel fundamental nas cerimônias e rituais do Candomblé.

Cada oferenda, cântico, e dança realizados nos terreiros têm o objetivo de movimentar e fortalecer o axé.

Sem axé, os rituais perderiam sua eficácia, pois é ele que proporciona o equilíbrio energético necessário para a cura, proteção e prosperidade.

Axé é transferido durante as iniciações e cerimônias, fortalecendo o corpo e o espírito dos participantes.

A Transmissão do Asé no Candomblé

Àse é transmitido através do hálito, do sopro e do contato físico e da energia espiritual.

O asé é transmitido de várias formas no Candomblé, seja por meio de rituais, objetos sagrados, ou pela palavra e toque de um sacerdote ou mãe de santo.

O Asé é nutrido no âmago líquido, nas entranhas do nosso corpo, no sangue, força que sustenta e move a Tradição.

“É preciso também querer receber Axé, e quem recebe ou quer receber Axé deverá aceitar os Bônus e principalmente os Ônus dentro de uma Casa de candomblé. Quem tem Axé acredita e confia na sua casa, nas pessoas e principalmente no zelador, trocará permanentemente Axé com todos de sua casa e com o seu Zelador. Quando um integrante não consegue trocar Axé estará fadado a interromper seu caminho dentro da Casa.” Fernando D’Osogiyan

O livre-arbítrio nos torna responsáveis pelas escolhas que fazemos.

É fundamental destacar o papel do livre-arbítrio em nossa vida como a responsabilidade que temos em fazer escolhas conscientes.Nós vivemos num mundo complexo, a era digital exige que decisões sejam tomadas rapidamente e as consequências que estas podem acarretar se proliferam em velocidade ainda maior.

E somos nós, individualmente, os responsáveis pelas consequências das nossas decisões.

Portanto, se aceitamos sugestões que terão repercussões negativas, nós nos tornamos responsáveis pelos problemas que surgem a partir delas.

Da mesma forma, quando acolhemos sugestões positivas e agimos com sabedoria e discernimento, merecemos o crédito por agir corretamente.

Mutue

Mutue- cabeça

Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização para cada pessoa. Morada da consciência espiritual.

Algumas nações vão tratar a cabeça como divindade ,o que liga o ser ao sagrado. 

Para o povo Bantu e a nação Angola ,é onde mora nossa consciência ancestral, capaz de nos trazer ao Iungo (terra ) quantas vezes for necessário renascer e recomeçar.

O Mutue para nós, povo Bantu, é representado individualmente, pois significa o janju ietu (consciência ancestral), esta consciência ancestral ou spiritual, antes de chegar ao iungo (terra) esteve perante Nzambi e fez a escolha de todo o seu destino individual, ou seja saúde, riqueza, prosperidade e outros atributos por ele requisitado, a fim  de conseguir vencer .

 o Mútue (cabeça) é conhecido como a mais antiga e poderosa força espiritual, mas com a chegada ao iungo (terra) ela se depara com várias dificuldades e de um Mutue rico, bom, próspero, e sadio pode se transformar em um Mutue pobre, doente, e miserável, é por esse motivo que quando estamos em dificuldade, recorremos ao Pangu (rito) para o nosso Mutue (cabeça, consciência  poderosa e antiga) a ela ofrecemos kúdia mba kúnua ngó kioso kiatokala (bebida e comida necessária) às vezes precisamos ofertar manhinga (sangue) e com certeza muitas Mambu (rezas) com pedidos de ajuda para os nossos problemas, pois o anjo guardião ancestral é possuidor de muitos remédios sendo ele o nosso maior defensor.

Quando procuramos um Nganga (adivinho/feiticeiro\sacerdote) para sabermos de nossos problemas, é através do Mutue que o adivinho consegue saber a causa, e é ao Mutue que se analisa para a solução do problema.

Por toda a vida, seja moço ou velho, reverenciamos o Mutue, cuidamos e vigiamos .

Uma coisa é  certa, colocamos o Mutue no iungo (terra) para pedir coisas boas para o duilo (céu), pois é lá perante Nzambi que escolhemos nosso destino.

falar de cuidados com mutue ,é lembrar a todos que somos responsáveis pelo que somos, pensamos ,falamos e fazemos.

por isso “cada cabeça sua sentença”

Nossos atos e nossos hábitos determinam um mutue sadio ou não, assim como nossas crenças ,a forma como encaramos a vida e usamos nosso livre arbítrio.

Povo Bantu Candomblé Angola

A vinda do povo bantu e como se prevaleceu a cultura dos nkise (nação angola de candomblé)

A partir do século XV inicia-se uma das maiores migrações forçadas da história da humanidade, na qual milhões de africanos que haviam sido capturados em seus territórios ancestrais, na maioria das vezes por outros africanos de tribos rivais, foram levados para o litoral e vendidos como escravos para os europeus e brasileiros em portos específicos na África e trazidos nessas condições para o Brasil.

Durante o final do século XVI e final do século XVIII, a principal etnia trazida para o Brasil foi a dos bantos, povo que durante o período de colonial brasileiro ocupava a maior parte do continente africano situado ao sul do Equador, na região onde hoje estão localizados o Congo, a República Democrática do Congo, Angola e Moçambique, entre outros. Apesar de os bantos dominarem praticamente toda a África Subsaariana nos séculos citados acima, pesquisas arqueológicas recentes indicam que a provável área de origem ancestral desta etnia é o sudeste da atual Nigéria, ao longo do vale do Cross River, e que por
volta de 2.000 a.C. eles teriam iniciado uma grande migração para o sul, através da qual difundiram suas tradições.

Provável área de origem e rotas de migração da etnia banto. Parece que a grande maioria dos bantos que foram trazidos para o Brasil cultuavam um Deus supremo chamado de Nzambi , Nzambi Mpungu ou Anganga Nzambi e a natureza, personificada nas divindades chamadas Inquices. Natureza esta intrínseca no ser. Sua força vital.
Entre as línguas faladas por esta etnia estão o quicongo (Congos e Norte de Angola), o quimbundo (centro de Angola) e o umbundo (sul de Angola). Durante o período colonial brasileiro, os africanos vendidos no litoral eram classificados em nações, as quais estavam relacionadas ao porto ou região em que era realizado o comércio de escravos com os europeus.

Assim, com base nesse sistema, a etnia banto foi dividida em “nações”, sendo algumas delas:
Angola, para os embarcados em Luanda.
Benguela, para os embarcados em Benguela.
Cabinda, para os embarcados em Cabinda.
Congo, para os embarcados em Loango e Malemba.e Moçambique,
Maputo para os embarcados em Moçambique .

Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados eram logo submetidos a aculturação portuguesa, traduzida principalmente na catequese católica: eram batizados e recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam conhecidos a partir daquele momento.
NO PERÍODO COLONIAL CALUNDU Assim como os tupis, os bantos também tentaram preservar suas tradições religiosas no Brasil, adaptando suas crenças às condições de escravidão a que estavam submetidos. A principal forma encontrada por eles (a semelhança do que foi feito pelos tupis décadas antes) foi associar os santos católicos aos seus deuses, no caso os Inquices, de acordo com as características que ambos (santos e Inquices) possuíam em comum.
Foi a partir deste sincretismo, ocorrido no interior das senzalas a partir do final do século XVI, que nasceu a primeira manifestação sincrética da religiosidade banto-católica no Brasil: o Calundu. Seu nome foi originado da palavra banto calundu, que até o século XVIII foi utilizada para designar genericamente a manifestação de práticas africanas relacionadas a danças e cantos coletivos, acompanhadas por instrumentos de percussão, nas quais ocorria a invocação e incorporação de espíritos e curas por meio de rituais de magia.

Como manifestação sincrética banto-católica, o Calundu era organizado basicamente em torno de seu chefe de culto e englobava uma grande variedade de cerimônias que associavam elementos bantos (atabaques, transe mediúnico, banhos de ervas, trajes rituais, sacrifícios de animais),etc.

CASAS DE CANDOMBLÉ
Ao longo dos séculos XVII e XVIII, cresce o número de cidades em todo o país, particularmente na região mineradora, em parte devido as características dessa atividade econômica. Devido a esse fato, surge uma situação completamente nova em todo o território colonial: o aumento do número de negros e mulatos alforriados (livres) e de escravos circulando com relativa liberdade nessas áreas urbanas. É a partir das residências desses negros e mulatos livres, localizadas em sua grande maioria em casebres e cortiços, que as manifestações religiosas de origem africana encontraram condições mínimas para se desenvolverem, locais onde os afro-descendentes poderiam realizar suas festas com certa frequência e construírem e preservarem os altares com os recipientes consagrados aos seus deuses. E são nessas residências que surge, em fins do século XVIII e início do século XIX, uma nova manifestação brasileira, que ficou conhecida na Bahia, MG e ES e Pernambuco como Casas de Candomblé. O Candomblé surge com base no fortalecimento das tradições religiosas bantos preservadas do Calundu e a assimilação de algumas práticas indígenas que sobreviviam nos quilombos e nas aldeias indígenas dos arredores deles. É interessante notar a importante relação de ajuda mútua que existia entre as Casas de Candomblé e os quilombos que se localizavam mais próximo das zonas urbanas. Devido a servirem como moradia e também como local de culto, as Casas de Candomblé se estruturam com base nas famílias-de-santo, que estabeleceu entre seus adeptos uma espécie de parentesco religioso, característica que foi um importante legado. Além dos fundamentos básicos dessas manifestações, que são comuns a todos os locais de culto, existem pequenas variações ritualísticas nesses lugares, as quais estão intrinsecamente relacionados aos seus dirigentes, o que fez de cada um deles único em seu formato ritualístico.

A partir da década de 1840 intensifica-se o tráfico de escravos da etnia sudanesa através da Rota da Mina, que tinha como origem os portos africanos de Lagos, Calabar e, principalmente, São Jorge da Mina, superando no período todas as demais em termos de escravos trazidos ao Brasil. A etnia sudanesa era originada principalmente da África Ocidental, na região onde hoje estão localizados Nigéria, Benin, Togo e Gana e é formada pelos povos iorubá, ewe, fon e mahin, entre outros.
Apesar de inicialmente muitos terem ficados conhecidos apenas como mina, ao longo do século XIX os escravos da etnia sudanesa passaram a ser conhecidos sobre outra nomenclatura, devido a rivalidade e a diferença cultural existente entre os povos iorubá e ewe/fon,que foi transportada da África para o Brasil junto com eles. Dessa forma, o povo iorubá passou a ser conhecido no Brasil como minanagô ou nagô, enquanto os povos ewe, fon e mahin ficaram conhecidos como mina-jeje ou jeje, termo este que advém do iorubá adjeje
que significa estrangeiro, forasteiro e era usada de forma pejorativa pelos iorubás para designar as pessoas que habitavam a leste de seu território. Os nagôs que foram trazidos para o Brasil tinham como idioma a língua iorubá e cultuavam um deus supremo chamado de Olorun ou Olodumaré e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Orixás. Apesar de na África existirem cerca de 400 Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em
várias localidades.
Os jejes que foram trazidos para o Brasil cultuavam uma divindade suprema chamada de Mawu e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Voduns. Apesar de na África existirem cerca de 450 Voduns, e a exemplo do que ocorreu com os Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em várias localidades.
Assim como ocorreu com os bantos, os escravos iorubás e fons trouxeram para o Brasil parte de sua cultura e de suas crenças religiosas, que foram pouco a pouco levadas para dentro de algumas manifestações aqui existente, devido aos negros alforriados e aos escravos fugidos que buscavam refúgio nos quilombos, levando ao aparecimento de diversas religiões africanas em solo brasileiro no século XIX, muitas delas com base nas Casas de Candomblé.
Com a intensificação da adição de elementos Yorubás às Casas de Candomblé no séc. XIX, estas acabaram por dar origem a uma nova religião brasileira conhecida como Candomblé de Nação a qual encerra dentro de si três modelos de culto relacionados as principais etnias e povos trazidos como escravos para o Brasil: a banto, a Yorubá nagô e a jeje. O modelo de culto banto é o mais difundido em todo o Brasil, podendo ser encontrado principalmente nos estados da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Pernambuco, de Minhas
Gerais, de Goiás e do Rio Grande do Sul. Ele é formado pelas nações Angola, Congo e Muxicongo, cuja principal diferença reside na língua de origem banto utilizada nos rituais. Apesar dessa diferença na língua, existe uma grande semelhança entre os rituais, o que faz com que atualmente alguns pesquisadores considerem todas as nações fundidas na Nação Angola.
O modelo de culto yorubá nagô é formado pelas nações Ketu (ou Queto), Efã e Ijexá. O Candomblé de Nação Ketu é praticado em quase todo o Brasil, principalmente na Bahia, sendo o que apresenta atualmente a maior divulgação nacional entre todos os Candomblés de Nação, devido ao grande número de escritores e cantores baianos que passaram a divulgá-lo. O Candomblé de Nação Efã é praticado principalmente nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O Candomblé de Nação Ijexá é praticado principalmente na Bahia.

O modelo de culto jeje é formado pelas nações Jeje-Fon e Jeje-Mahin. Tanto o Candomblé de Nação Jeje-Fon quanto o Candomblé de
Nação Jeje-Mahin são praticados principalmente na Bahia, podendo ser encontrados também no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e
em São Paulo.
Os Candomblés de Nação Angola, Congo e Muxicongo cultuam um deus supremo chamado Nzambi ou Zambi (também conhecido como Nzambi Mpungu ou Zambiapongo) e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Inquices. Os atabaques são tocados com as mãos e as cantigas possuem muitos termos em português.
Os fundamentos dos Candomblés de Nação do modelo de culto banto, muitos dos quais incluem ou são baseados nas histórias, lendas e mitos acerca dos Inquices, são passados oralmente pelos sacerdotes da religião, chamados de Tata Nkisi (masculino) ou Mametu Nkisi (feminino).
Além do jogo de búzios, os Candomblés de Nação Angola, Congo e Muxicongo utilizam um outro sistema de comunicação chamado de Ngombo, cujo responsável pela prática é conhecido como Kambuna.

O Princípio do Candomblé no Brasil
Os Bantu, no Brasil, têm um papel preponderante na formação da nacionalidade brasileira.
E, nesse sentido, muitos estudos têm sido elaborados, para exemplificar às contribuições linguísticas ao português brasileiro, sobretudo as advindas do Kimbundo e do Kikongo. Quanto aos estudos sobre as contribuições na área da cultura popular, caso das congadas, dos reinados e da capoeira de Angola, observa-se que, além das pesquisas já concluídas, há vários estudiosos empenhados em desenvolvê-las.
No entanto, na área das religiões de matriz bantu no Brasil, existe uma enorme carência de estudos, pois muito pouco ou quase nada tem sido feito desde que nossos pioneiros na pesquisa do africano. O sigilo do sagrado Bantu é respeitado.

Festejos de Mutakalambo Ngongombila

Mtakalambô, Mutak’lamb’ngunzo, Cabila e Ngongombila são nomes que revelam a natureza do caçador e a face divina de Deus como provedor. Essa Divindade é responsável pela manutenção da tribo e ainda tem a função de manter a vigilância noturna nas aldeias garantindo-lhes a segurança. Está ligado a abundância de alimentos na Nzo (casa) de culto, proporcionando a fartura, a alimentação, a bem-aventurança financeira dos filhos de santo.

Feitura de Santo

Para você renascer espiritualmente, precisa abandonar o passado. Isso exige coragem. E dentro de você já existe coragem para tanto. Acredite no poder do seu Orixá/Nkise, entregue-se a ele e se atire decididamente no oceano de axé. E não tenha medo de afundar, pois flutuará milagrosamente e terá grande tranquilidade.

O candomblé possui um sofisticado código ritualístico, elaborado para organizar o fazer das casas de axé.

O ritual de iniciação no Candomblé, a feitura no santo, representa um renascimento, tudo será novo na vida do iniciado ele receberá inclusive um nome pelo qual passará a ser chamado dentro da comunidade do Candomblé.

A feitura tem por início no recolhimento. Nestes dias de reclusão, e neste prazo são realizados banhos, boris, oferendas, ebós, todo o aprendizado começa, as rezas, as dança, as cantigas…

Mas nem todos estão preparados para isso. Ainda presos nas vaidades do mundo, pra muitos perder os cabelos pesa. Estar recolhido afastado das redes sociais e da vida mundana pesa. Afinal é muita responsabilidade viver para o Nkise, me entregar verdadeiramente ao sagrado. Por isso feitura de Santo não é pra todo mundo. Requer mais que rituais e mudança de vida. O ser antigo tem de morrer para o novo renascer para o Nkise/Orixá.

Toda mudança exige esforço. Mas a maioria vive a desculpa eterna da imperfeição, nunca estar preparado, estar sempre na busca… Mas quando são chamados não dão conta, pois na verdade não se quer abrir mão do velho ser.

Para você renascer espiritualmente, precisa abandonar o passado. Isso exige coragem. E dentro de você já existe coragem para tanto. Acredite no poder do seu Orixá/Nkise, entregue-se a ele e se atire decididamente no oceano de axé. E não tenha medo de afundar, pois flutuará milagrosamente e terá grande tranquilidade.

PEDIR A BENÇÃO!

Mukuiu – (macuiu) é um pedido de bênçãos (para a nação Bantu) a resposta é Mukuiu NZambi (ou seja que Deus te abençoe); 

Pedir a bênção, no Candomblé, faz parte da hierarquia e da rotina das casas, onde todos se cumprimentam, saudando-se e trocando bênçãos, num gesto bonito e humilde de relacionamento.

A benção é uma forma de demonstrar nossa humildade perante as divindades. Quando uma pessoa responde a um pedido de benção, essa é uma resposta do Orixá, utilizando-se de sua boca para se comunicar e de suas mãos para trocar naquele que a pediu. O homem não tem o poder divino de bendizer ou de abençoar seus semelhantes. Ele é somente ferramenta utilizada pelas divindades.