A Essência das Ervas no Ilê: A Vida Pulsante do Axé

No terreiro, cada folha, cada raiz, cada flor é reconhecida como portadora de um poder específico, de uma vibração única que se alinha a um Nkisi ou a um propósito.

As ervas são consideradas os “cavalos” ou os “corpos” dos Nkisi no reino vegetal. Cada Nkisi tem suas ervas específicas, que carregam sua essência energética. Ao manuseá-las, macerá-las, cantá-las (milongas), estamos ativando a força do Nkisi que ali reside. É através das ervas que o axé divino é extraído e direcionado para fins específicos. Diariamente, o terreiro e seus membros precisam de limpeza energética. As ervas são a principal ferramenta para isso. Banhos de descarrego (mbenza ya ulongo), defumações (kusasula), e a limpeza de ambientes com o sumo das folhas afastam energias negativas, miasmas e quebram demandas. Elas restabelecem o equilíbrio e preparam o corpo e o espírito para receber energias positivas.

Para cada enfermidade física, espiritual ou emocional, há uma combinação de ervas que, preparadas como chás, compressas (kufungama), ou banhos, trazem a cura. Elas restauram o muenhu (vida) e o equilíbrio energético do indivíduo.

Para atrair boas energias, prosperidade, amor e oportunidades, utilizamos ervas com vibrações específicas. Banhos para abrir caminhos, infusões para o comércio, defumações para atrair abundância – tudo isso é feito com a inteligência e o poder das ervas que ressoam com a fartura e a boa sorte. Muitas ervas também são associadas aos ancestrais e são usadas em rituais de reverência e comunicação com os que já partiram, mantendo o elo entre o presente e o passado. A presença e o uso contínuo das ervas no tereiro são uma forma de aprendizado constante para os iniciados (ndumbis). Eles aprendem a identificar as ervas, suas funções, como manuseá-las, as milongas correspondentes e a importância de zelar por elas. É um conhecimento transmitido oralmente e vivenciado, parte essencial da formação sacerdotal.

O Zelador e a Horta do Terreiro: Um Elo Sagrado

Para o sacerdote Kongo Angola, a horta do terreiro (ou o cuidado com as ervas em si) é um local de profundo respeito e trabalho. Muitas vezes, o próprio zelador cultiva suas ervas, cuidando delas como se cuida dos próprios filhos, pois sabe que delas depende a vida do kilombo. O ato de colher as ervas, pedir licença à natureza, conversar com a planta, é um ritual em si que reforça a conexão com a energia vital.

Em verdade digo que as ervas são a linguagem primordial dos Nkisi, o elo entre o divino e o terreno. Elas sustentam o axé do terreiro, purificam, curam, protegem e abrem caminhos. São a prova viva de que a natureza é a manifestação de Nzambi, e que em cada folha reside um pedaço do poder e da sabedoria do universo. Sem elas, o terreiro perderia sua força e sua essência.

A Importância Vital dos Xirês e Giras

Os xirês são rituais públicos, onde a comunidade se reúne para louvar, invocar e celebrar os Nkisi e os ancestrais. Sua importância se manifesta em diversas camadas:

  1. Materialização do Axé: O xirê é o ponto onde o axé se manifesta de forma mais tangível. Através do canto (milonga), do toque dos atabaques (ngoma), da dança (kusakana) e da fé dos presentes, um campo de força vibratória é criado. Esse campo atrai e condensa a energia dos Nkisi, permitindo que eles se façam presentes e atuem no plano físico, seja através da incorporação (transe mediúnico) ou da simples irradiação de suas bênçãos.
  2. Manutenção da Hierarquia e dos Fundamentos: A cada xirê, a hierarquia do kilombo é reafirmada. Os Tatas e Nenguas Nkisi (pais e mães de santo) conduzem o ritual, os makotas (auxiliares) zelam pela ordem, os ndumbis (iniciados) e os muxikungos (tocadores) cumprem suas funções. É uma dança sincronizada de fé e disciplina que mantém os fundamentos vivos e operantes, garantindo que o axé seja movimentado de forma correta e segura.
  3. Desenvolvimento Mediúnico e Fortalecimento do Iniciado: Para os médiuns em desenvolvimento, o xirê é a escola primordial. É ali que aprendem a disciplina do transe, a forma de se apresentar, de dançar e de se relacionar com seu Nkisi em público. A energia constante e crescente do xirê fortalece o eledá (cabeça/orí) do iniciado, aprofundando sua conexão com o Nkisi e lapidando sua mediunidade. Para os iniciados mais antigos, é o momento de renovar suas energias e reafirmar seu compromisso.
  4. Cura, Limpeza e Renovação Pessoal: A energia movimentada nos xirês é profundamente curadora e purificadora. O axé que se espalha pelo ambiente atua sobre todos os presentes, descarregando energias negativas, equilibrando o corpo e a mente, e promovendo bem-estar. Muitos testemunham sentir-se mais leves, revigorados e com a mente mais clara após participarem de um xirê.
  5. União e Coesão da Comunidade: O xirê é um evento de celebração e união. A comunidade (nzo de Nkisi) se reúne, compartilha o espaço sagrado, os cânticos e a alegria. Essa vivência coletiva fortalece os laços de irmandade, promove a solidariedade e reforça o sentimento de pertencimento. É onde a família de santo se reconhece e se reenergiza como um corpo único.
  6. Prestação de Caridade e Aconselhamento: Muitos xirês são abertos ao público externo, permitindo que a comunidade em geral busque auxílio. Durante a manifestação das entidades (Caboclos, Pretos Velhos, Pombogiras, Exus, etc.), são oferecidos aconselhamentos, passes, descarregos e curas espirituais. O xirê se torna, assim, um grande ato de caridade, onde a sabedoria e o axé dos guias são colocados a serviço de quem precisa.

O xirê é um caldeirão de energias que se interligam e se potencializam:
Energia dos Nkisi: Os cânticos específicos para cada Nkisi invocam sua vibração particular.Energia dos Ancestrais (Mukua-Mwenho): A reverência aos que vieram antes, especialmente aos fundadores da casa, enraíza o axé do terreiro, dando sustentação e sabedoria aos trabalhos.

Energia dos Guias Espirituais (Caboclos, Pretos Velhos, Pombogiras, Exus): Essas falanges, através da incorporação, trazem energias mais próximas da realidade humana, atuando diretamente nos problemas do cotidiano, com suas particularidades de sabedoria popular, astúcia ou caridade.

Energia da Natureza: Os elementos que compõem o terreiro (plantas, água, terra) e os fundamentos dos Nkisi (pedras, metais, rios, matas) são ativados, conectando o espaço à força primordial da natureza.

Energia Coletiva da Fé e Intenção: A fé de cada pessoa presente se soma, criando um campo vibracional potente que amplifica a chegada e a manifestação do axé. A intenção de curar, proteger ou agradecer é fundamental para direcionar essa energia.

Em síntese, o xirê é a celebração da vida, da fé e da conexão divina. É o momento em que o mundo material e espiritual se encontram em harmonia, permitindo que a força e a sabedoria dos Nkisi abençoem, curem e guiem a todos que buscam o axé.

A Importância da Mulher no Candomblé Angola: Geradora, Nutridora e Guardiã do Axé

A mulher, em nossa cosmovisão Kongo Angola, ocupa um lugar de centralidade e reverência inquestionáveis. Sua importância transcende o papel social, alcançando o âmago da nossa espiritualidade. Ela é a manifestação terrena do Sagrado Feminino, a representação da força geradora de Nzambi e das Nkisi femininas.

  1. Geradora da Vida e do Axé: Assim como a mulher gera e nutre a vida física em seu ventre, no kilombo ela é vista como a geradora do axé. Muitas Nenguas Nkisi (Mães de Santo) são as fundadoras e mantenedoras das casas, o útero onde a fé se manifesta e se multiplica. Elas são responsáveis por “parir” novos filhos de santo, iniciando-os e nutrindo-os espiritualmente.
  2. Nutridora e Cuidadora: A energia feminina é, por natureza, nutridora e acolhedora. As mulheres no Candomblé Angola, especialmente as Nenguas e as Makotas, são as grandes cuidadoras do kilombo. Elas zelam pelos filhos, pelos Nkisi, pela manutenção da casa, garantindo que o axé flua em harmonia e que todos se sintam amparados. Elas têm a sensibilidade para perceber as necessidades da comunidade e agir com a sabedoria do afeto.
  3. Guardiã do Conhecimento e da Tradição: As mulheres são frequentemente as guardiãs da memória, dos cânticos, das rezas e dos fundamentos. Elas transmitem oralmente o conhecimento de geração em geração, assegurando a continuidade da tradição. Muitas Makotas e Nenguas são verdadeiras bibliotecas vivas de nossa fé, com um saber ancestral que se manifesta na prática diária e no ensino.
  4. Força Espiritual e Resiliência: Historicamente, as mulheres africanas e afro-brasileiras demonstraram uma resiliência e uma força espiritual inabaláveis. No Candomblé Angola, essa força é celebrada e reconhecida como um pilar de sustentação para a comunidade, especialmente em tempos de adversidade.

Mametu – Monajimu

Abraço

O Poder Curador e Restaurador do Abraço
Não há gesto mais poderoso e sincero do que um abraço. O abraço é um ato de amor, de perdão, de acolhimento e de transmissão de energia.

Quando você abraça um irmão, você está:

Compartilhando energia vital: No abraço, nossos campos energéticos se tocam e se harmonizam. É um intercâmbio de axé puro.

Transmitindo paz e acolhimento: O abraço verbaliza sem palavras “estou aqui com você”, “eu te perdoo”, “você é importante para mim”.

Quebrando barreiras emocionais: Ele dissolve a raiva, a tristeza e a desconfiança, abrindo o coração para a cura.

Ativando o poder do Nkisi em você: Nkisi é a paz em forma de abraço, o acolhimento do útero materno, a amplitude do ar que respiramos. Ao abraçar com sinceridade, você se conecta ainda mais profundamente com a essência do seu Nkisi de cabeça.

Um abraço sincero tem o poder de desfazer nós, curar feridas invisíveis e reativar a chama da união. É a manifestação física do perdão e da reconciliação.

Nkosi: O Guerreiro da Ordem e o Guardião da Linhagem

Como sacerdote de Candomblé Kongo-Angola, é uma honra e um dever falar sobre a relação profunda e vital de Nkosi com a ancestralidade em nossa Nação. Em nossa cosmogonia, os Bakulu (ancestrais) são o elo entre o passado, o presente e o futuro, e os Nkisi são as forças divinas que regem o universo e a vida. A conexão entre Nkosi e os Bakulu é um dos pilares que sustenta nossa existência e nossa fé.

Nkosi, o Nkisi do ferro,é uma força primordial em nossa vida. Ele não é apenas um guerreiro que abre e defende; ele é também um arquiteto da civilização, o que forja as ferramentas, o que desbrava a mata para o sustento. E é nessa sua função de organizador e protetor da ordem que sua ligação com a ancestralidade se manifesta de forma tão potente.

A Ferramenta do Progresso na Tradição: Os Bakulu nos ensinaram a progredir, a caçar, a cultivar, a construir. Nkosi, como o senhor das ferramentas e do progresso, representa essa capacidade de inovar e de forjar um futuro a partir da base sólida do passado. Ele nos dá a capacidade de transformar os ensinamentos ancestrais em ações concretas que beneficiam nossa vida e nossa comunidade.

Abertura dos Caminhos Ancestrais: Nkosi é o senhor dos caminhos. Nossos Bakulu trilharam caminhos antes de nós, e Nkosi é quem assegura que esses caminhos estejam abertos e seguros para que a energia e a sabedoria ancestral possam fluir até nós. Ele desfaz os obstáculos que impedem essa conexão, sejam eles espirituais ou materiais. Ao cultuarmos Nkosi, estamos pedindo que ele “limpe a estrada” para que a memória e a influência dos que vieram antes possam nos alcançar.

Guardião da Linhagem e do Sangue: O ferro, domínio de Nkosi, é o metal que dá estrutura, firmeza e resistência. A ancestralidade é a nossa estrutura, a base de quem somos. Nkosi, ao reger o ferro e o sangue (o “sangue que corre em nossas veias”), simboliza a continuidade da linhagem, a força genética e espiritual que nos conecta aos nossos antepassados. Ele protege essa linhagem, garantindo sua perpetuação e a saúde dos seus descendentes. Em rituais de consagração e manutenção da vida, é a força de Nkosi que firma a energia vital no sangue, que por sua vez, é o veículo da ancestralidade.

Força para Enfrentar o Passado: Muitas vezes, a ancestralidade carrega consigo não apenas bençãos, mas também débitos, traumas e desequilíbrios de gerações passadas. Nkosi, como o guerreiro, nos dá a força, a coragem e a capacidade de enfrentar e superar esses legados negativos. Ele nos ampara nas batalhas espirituais e existenciais que podem surgir dessa herança ancestral, permitindo que cortemos os laços de sofrimento e transformemos o karma familiar.

Assentamento da Lei e da Ordem Ancestral: Nossos ancestrais estabeleceram as primeiras leis, os primeiros costumes, as primeiras formas de organização social. Nkosi é o Nkisi que sustenta a Lei e a Ordem. Ao firmarmos a energia de Nkosi em nossos Axés e em nós mesmos, estamos ancorando a disciplina, a retidão e o respeito às tradições que foram legadas pelos Bakulu. Ele nos ajuda a manter a estrutura e a hierarquia da casa, que reflete a estrutura da nossa família ancestral.

Defensor dos Ancestrais e dos Descendentes: Nkosi não defende apenas os vivos, mas também os domínios dos Bakulu. Ele é o guardião das fronteiras, e isso inclui as fronteiras entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Ele assegura que os Bakulu sejam respeitados e que a comunicação com eles seja feita de forma correta e protegida. Da mesma forma, ele defende os descendentes das influências negativas que possam vir de espíritos desequilibrados ou de demandas direcionadas à linhagem.

Musicalidade Bantu e sua Conexão Ancestral

A cultura Bantu e suas contribuições ancestrais para a música brasileira são vastas e profundamente enraizadas, formando a espinha dorsal de muitos dos nossos ritmos, instrumentos e expressões musicais.

musicalidade Bantu não é apenas um conjunto de sons, mas uma manifestação cultural e espiritual completa. Ela se caracteriza por:

  • Ritmica e Polirritmia: A base de quase toda a música Bantu é o ritmo. A polirritmia, onde diferentes instrumentos tocam padrões rítmicos distintos que se encaixam e interagem, cria uma tapeçaria sonora complexa e envolvente. Essa característica é uma herança direta que percebemos em gêneros como o samba, onde a variedade de percussão cria camadas rítmicas intrincadas.
  • Relação com a Espiritualidade: Para os Bantu, a música é um meio de comunicação com o divino, os ancestrais e as forças da natureza. Cantos, toques de tambor e danças são elementos essenciais em rituais religiosos, invocando e saudando as divindades (Nkisi, Inkices) e os espíritos. Essa ligação indissociável entre música e fé é a base das religiões de matriz africana no Brasil, como o Candomblé (especialmente as nações de Angola e Congo) e a Umbanda.
  • Chamada e Resposta (Canto Responsorial): Uma estrutura vocal comum na música Bantu é o sistema de “chamada e resposta”, onde um solista entoa uma frase e um coro responde. Essa forma de canto promove a participação coletiva e a interação, sendo um traço marcante em diversos gêneros musicais brasileiros, do samba de roda aos cânticos de terreiro.
  • Incorporação de Movimento e Dança: A música Bantu é inerentemente ligada à dança. Os ritmos dos tambores não são apenas para serem ouvidos, mas para serem sentidos e expressos corporalmente. A dança é uma forma de louvor, de contar histórias e de manifestar a energia dos ancestrais e divindades. Essa fusão de música e movimento é evidente na capoeira, no jongo, no samba e em outras danças brasileiras.

Instrumentos Musicais Ancestrais e Sua Presença no Brasil

A bagagem instrumental Bantu foi fundamental para moldar a sonoridade brasileira. Muitos de nossos instrumentos mais característicos têm suas raízes ou foram influenciados por tecnologias e práticas musicais africanas:

  • Atabaques: Essenciais nos terreiros de Candomblé e Umbanda, os atabaques (tambores de diferentes tamanhos) são herdeiros diretos dos tambores africanos, como o Ngoma (termo Bantu para tambor ou música de tambor). Eles são a voz dos orixás e nkisi, marcando o ritmo das danças e cerimônias.
  • Berimbau: O icônico instrumento da capoeira, o berimbau, tem sua ancestralidade ligada a arcos musicais angolanos como o Mbulumbumba ou Hungu. Sua sonoridade vibrante e percussiva guia a roda de capoeira, integrando música, luta e ancestralidade.
  • Cuíca: Este tambor de fricção, conhecido como Pwita em algumas regiões de Angola, foi adaptado e se tornou um elemento distintivo do samba e de outras manifestações populares, com seu som expressivo e único.
  • Caxixi: Pequeno cesto trançado com sementes, frequentemente utilizado com o berimbau, mas presente em diversas outras práticas rítmicas.
  • Agogô: Instrumento de percussão metálico, com duas ou mais campânulas, também de origem africana, marcando ritmos em diferentes contextos musicais.
  • Marimba: Um tipo de xilofone com lâminas de madeira e ressonadores de cabaça, a marimba é um instrumento ancestral presente em diversas culturas Bantu e que influenciou outros instrumentos de percussão no Brasil.

Contribuição para Gêneros Musicais Brasileiros

A presença Bantu é inegável em diversos gêneros musicais que são a cara do Brasil:

  • Samba: A estrutura rítmica do samba, com sua polirritmia e a forte presença da percussão (atabaques, pandeiro, cuíca), é diretamente influenciada pelos ritmos Bantu, como o Semba (que significa “umbigada” e remete a uma dança angolana).
  • Capoeira: A capoeira é uma expressão cultural completa onde música e movimento se entrelaçam. Os toques do berimbau e os cantos em coro são essenciais para o ritual e a energia da roda, tudo com fortes raízes Bantu.
  • Jongo: Presente em regiões do Sudeste, o jongo é uma dança e canto de roda de origem Bantu, com tambores de tronco e letras que muitas vezes carregam mensagens codificadas, ligadas à resistência e à memória ancestral.
  • Congado e Moçambique: Essas manifestações religiosas e culturais, populares em Minas Gerais, celebram a fé e a ancestralidade africana através de tambores, cantos e danças, com forte influência Bantu.
  • Outros Ritmos: Elementos da musicalidade Bantu podem ser encontrados também em outros ritmos como o Maracatu, o Batuque, o Maxixe e até mesmo em manifestações folclóricas regionais, mostrando a capilaridade dessa herança.

Em síntese, a cultura e a musicalidade Bantu não apenas introduziram novos instrumentos e ritmos no Brasil, mas também incutiram uma forma particular de entender e fazer música: uma música que é coletiva, rítmica, ligada à espiritualidade e ao movimento, e que se tornou a base fundamental da nossa identidade sonora. É uma herança viva que continua a reverberar em cada batida de tambor e em cada melodia que compõe o rico mosaico musical brasileiro.

Lembá

Lemba é um nkise de grande importância nas religiões afro-brasileiras. É um nkise que representa os princípios fundamentais da vida, como a ordem, a justiça, a paz e a compreensão.

Lemba pode se manifestar de várias formas, dependendo da sua vontade e do contexto em que se encontra. Algumas das suas manifestações mais comuns são:

  • Lemba, a manifestação original, é o nkise mais importante e elevado. É associado à ordem, à justiça, à paz e à compreensão.
  • Lembarenganga, a manifestação da guerra, é associada à força, à coragem e à justiça. É o nkise que protege os guerreiros e os ajuda a vencer as batalhas.
  • Lembadile, a manifestação da cura, é associada à cura, à medicina e à fertilidade. É o nkise que cura os doentes, ajuda as mulheres a engravidar e garante a fertilidade da terra.

Lembarenganga é um nkise (divindade) do candomblé de Angola e do batuque, religiões afro-brasileiras. É considerado uma manifestação de Lemba, o nkise mais importante e elevado.

Lembarenganga é associado à guerra, à força e à coragem. É o nkise que protege os guerreiros e os ajuda a vencer as batalhas. É também o nkise que defende os fracos e os oprimidos.

Lembarenganga é cultuado na sexta-feira, seu dia sagrado. Seus símbolos são a espada, o escudo, o machado e o fogo. Suas cores são o vermelho e o branco.

Aqui estão algumas das atribuições de Lembarenganga:

  • Proteger os guerreiros
  • Ajudar a vencer as batalhas
  • Defender os fracos e os oprimidos
  • Garantir a justiça
  • Promover a paz

Lembadile é associado à cura, à medicina e à fertilidade. É o nkise que cura os doentes, ajuda as mulheres a engravidar e garante a fertilidade da terra.

Lembadile é cultuado na sexta-feira, seu dia sagrado. Seus símbolos são o bastão de cura, o coqueiro e o fogo. Suas cores são o branco e o vermelho.

Aqui estão algumas das atribuições de Lembadile:

  • Curar os doentes
  • Ajudar as mulheres a engravidar
  • Garantir a fertilidade da terra
  • Proteger as crianças
  • Promover a paz e a harmonia

Lembadile é um nkise de grande importância nas religiões afro-brasileiras. É um nkise que representa os princípios da cura, da fertilidade e da paz.

MUKANGE 

Muito se fala nos dias de hoje ,principalmente após tanta repercussão de carnaval da utilização de Máscaras nas casas de Angola, com o intuito de diminuir o culto e tradição das casas de matriz kongo e Angola.

Se considerarmos que todo rito corresponde, em sua raiz, a um mito e que os mitos dizem respeito a uma forma de ver o mundo e a realidade. Certamente, em uma leitura livre de esquemas comparativos que depreciem qualquer forma de realizar a experiência do sagrado em diferentes ritos e culturas, apenas poderemos constatar que as fusões e reinterpretações que são inseridas no chamado caldeamento de culturas, como ocorrem no Brasil, que mescla diferentes cultos de origem africana, transformando-os e preenchendo-os com diferentes significados, tal conduta, muitas vezes esvazia o significado original o que serve tanto como perda da tradição como elemento fragmentador dos mitos geradores dos ritos adotados.

Então, partindo desse particular ponto de vista, a MUKANGÊ (MASCARA), que é característica da tradição congo-angola e marca específica de sua visão da manifestação da divindade Nkisi, reflete algo de seu mito espiritual, algo que merece ser considerado e meditado, para ser compreendido.

Sobretudo, a singularidade da Mukangê (Mascara), demonstra muito da visão congo-angola sobre o Nkisi, porque diferentemente da tradição Yorubá, não se enfatiza a natureza da divindade em sua encarnação humana, mas a natureza divina e singular do Nkisi em seu iniciado e filho, que através do seu transe traz ao mundo da relatividade de forma única, uma energia sagrada que jamais tomou essa forma, pois que cada filho seu reflete uma singularidade original. Na tradição congo angola, as forças espirituais dos Minkisi, permanece sempre no mundo sagrado, de forma que quando o iniciado coloca a máscara e manifesta seu “Santo”, apesar de estar manifestando no plano humano a força de uma divindade, ele se despersonaliza pela máscara, demonstrando que não é ele quem dança quem se movimenta que se comunica, mas a entidade espiritual que através de sua cabeça pode vir ao mundo da relatividade.

Assim, que se pode verificar que cada máscara de Nkisi é diferente das demais, enquanto que o Adê (Coroa) do Orixá Ioruba enfatiza a identificação com um comportamento arquetípico do Orixá, a Mukangê (Mascara) enfatiza a singularidade do Nkisi que encontrou um filho seu para se manifestar de forma completamente nova no mundo, ainda que com os princípios subjetivos de sua força original.

Vale destacar que a comparação nem sempre é saudável porque pode gerar juízos depreciativos, porém todas as visões são importantes para entendermos nossas raízes religiosas. Quem sabe em breve poderemos contar com estudos mais profundos e completos na teologia comparada entre dos mitos de diferentes culturas áfricas…

INQUINCE



Muitas vezes vemos escrito nkisi mais qual a pronuncia correta ?

Pronunciamos inquice ou inquici foi o nome adotado para todas divindades cultuada no candomblé angola de forma geral.

Geralmente para cada nkisi se canta três cantigas e para o dono da casa 7. Sao muitas as divindades cultuada no xirê no candomblé de nação Angola. Apresento as mais conhecidas e para estas são entoados os muimbu (cantigas)

3 cantiga pra cada na kisomba ou jamberesu (festejo)

Oluvaiá ou Aluvaia: nkisi do barro vermelho.

Pambun’jila: O senhor dos caminhos estradas e encruzilhadas .

Mavangu: controla o portão de entrada do Inzo pelo lado de fora.

Maviletango:nkisi da ordem e guardião.

Mpemba: a representação do ar e da pureza .

(uma das energia divina de Nzambe)

NKosi: e tido como um grande guerreiro temido por todos .

Mukumbe: guerreiro e tambem tido como agricultor .

NGuzu: engloba as energias dos caçadores de animais.

Kabila: pastor. O que cuida dos rebanhos e das manadas .

Mutalambo: nkisi dos rios caçador, vive em florestas e montanhas; deus de comida abundante.

Gongobira: caçador jovem e pescador.

Mutakalambo:o mesmo que mutalambo.

Terekompensu: Nkisi das aguas e da pesca.

Katende: Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais tido como um pequeno largato .

Nzazi:nkisi do raio

Loangu: Nkisi do magma da terra e dos morros divide domínio com Nzaze

Nwunji: nkisi feminino da justiça. representa a felicidade de juventude tambem ligado aos partos .

Kavungu:,nkisi da terra e do barro .

Kafungê,nkisi da terra protege contra as doenças.

Kingongo: que levam as pestes e doença embora.

Nsumbu : Senhor da terra.

Hongolo: nkisi serpente representado por um arco iris.

Angorô-mea: nkisi que ficou conhecida no Brasil como a forma feminina de Hongolo .

nZingalubondo:representa o ar atmosférico tambem representada no arco-íris .

Kitembo: nkisi dos ventos e das estações do ano.

Kitembu tem como sua representação o bambu e uma bandeira branca na ponta o simbolo das casas de candomblé angoleiro.

Kaiangu: nkisi da fauna terrestre .

Matamba: nkisi acredita-se que matamba rege a energia do fogo e esta ligada a Nzaze.

nBulusema: nkisi das chuvas e dos ventos .

Kisimbi : a grande mãe; deusa de lagos e rios e queda d’agua tida como uma sereia de aguas doces .

Ndandalunda: nkisi dos rios de lunda de qual herdou parte de seu nome considerada o leito do rio NDandalunda e considerada uma princesa por ser de extrema beleza tendo parentesco com as kiandas (sereias) e tambem esta associadas as raizes aquaticas .

Kaiala:divindade do mar e oceanos tida como útero materno pois todos seres vivos tiverão inicio nas águas de Kaiala.

Kaitumbá:divindade do mar

Mikaia:um dos nomes de kaiala

Kukueto ou kakuetu :divindades do oceano é metade mulher e metade peixe .

Kianda : todas mama dia maza (mãe d’agua)na cultura bantu são tidas como uma kianda (sereia)cada uma em seu domínio particular .

hangolo-mea que também e considerada das aguas/ar e representada por uma serpente .

Samba kalunga:divindade do aceano

NZumbarandá: nkisi da terra molhada e alagados .

Lembádile: foi o primeiro Nkisi criado por Zambi

Jafurama:nkisi do ar e tambem tido como uns dos nkisi da criação.

Kassuté:esse nkisi é um dos mais velhos guerreiro mas sua representação e como um jovem.

Lembá:nome abreviado de lembadile sua representação é a cor branca .

Concentração

“(…) Não lutes contra os pensamentos. Conquiste-os . ¹Joanna de Angelis.

Veículo principal  – o pensamento

  • Boa concentração exige vida reta

A Concentração Exige Educação da Mente

O Dicionário, da língua portuguesa, define o sentido da palavra concentrar como sendo: Fazer convergir a um centro; centralizar; tornar mais denso; não dar expansão a; convergir. Segundo, a mesma fonte, concentrado é o mesmo que; Reunido em um centro; centralizado; absorto; condensado; em que se opera a concentração.

Não é tão fácil, mantermo-nos concentrados em determinadas atividades, que exijam atenção, cuidado redobrado e vigília de nossa parte, isto porque não temos o hábito de policiar os nossos pensamentos, e, quando menos esperamos, já estamos distraídos, desatentos, desligados da nossa tarefa de momento.

Isso ocorre com muita freqüência, por que ainda não desenvolvemos o hábito salutar de fixar nossa atenção nos assuntos de conteúdo edificantes, pois, estamos cercados de lixo mental, a tomar nossa atenção em qualquer parte por onde passamos, sejam nas manchetes estampadas nas bancas em que os jornais sensacionalistas despejam as sujeiras da sociedade nas manchetes diárias, onde campeiam notícias de crimes, corrupção, pornografias etc; sejam em conversas que ouvimos em que qualquer parte em que estejamos, onde o palavrão, a falta de educação, o desrespeito, a futilidade, são amplamente utilizadas como se fossem absolutamente normais, e, quem assim não procede é considerado cafona, “está por fora”.

Precisamos por tanto, desde já, nos preocuparmos com nossa preparação para uma eficiente participação nos trabalhos de cunho moral espiritual e é precisamente disso, que os espíritos Superiores mais sentem falta, pois, nossa concentração nesses misteres da Seara Espiritual, não podem ser desenvolvido sem uma acurada concentração que nos permita uma sintonia perfeita com os espiritos.

A concentração, só é conseguida, através do exercício diário e constante da meditação, através da qual, o indivíduo disciplina a vontade, exercita a paciência e o controle da mente para vencer, dia-a-dia, as tendências inferiores que lhes fazem companhia desde tempos imemoriais e que sem esse trabalho paciente e impostergável de reforma interior, não conseguirá se libertar de tão pesada carga de materiais tóxicos e nocivos que tanto mal tem causado a seu espírito imortal.