Povo Bantu Candomblé Angola

A vinda do povo bantu e como se prevaleceu a cultura dos nkise (nação angola de candomblé)

A partir do século XV inicia-se uma das maiores migrações forçadas da história da humanidade, na qual milhões de africanos que haviam sido capturados em seus territórios ancestrais, na maioria das vezes por outros africanos de tribos rivais, foram levados para o litoral e vendidos como escravos para os europeus e brasileiros em portos específicos na África e trazidos nessas condições para o Brasil.

Durante o final do século XVI e final do século XVIII, a principal etnia trazida para o Brasil foi a dos bantos, povo que durante o período de colonial brasileiro ocupava a maior parte do continente africano situado ao sul do Equador, na região onde hoje estão localizados o Congo, a República Democrática do Congo, Angola e Moçambique, entre outros. Apesar de os bantos dominarem praticamente toda a África Subsaariana nos séculos citados acima, pesquisas arqueológicas recentes indicam que a provável área de origem ancestral desta etnia é o sudeste da atual Nigéria, ao longo do vale do Cross River, e que por
volta de 2.000 a.C. eles teriam iniciado uma grande migração para o sul, através da qual difundiram suas tradições.

Provável área de origem e rotas de migração da etnia banto. Parece que a grande maioria dos bantos que foram trazidos para o Brasil cultuavam um Deus supremo chamado de Nzambi , Nzambi Mpungu ou Anganga Nzambi e a natureza, personificada nas divindades chamadas Inquices. Natureza esta intrínseca no ser. Sua força vital.
Entre as línguas faladas por esta etnia estão o quicongo (Congos e Norte de Angola), o quimbundo (centro de Angola) e o umbundo (sul de Angola). Durante o período colonial brasileiro, os africanos vendidos no litoral eram classificados em nações, as quais estavam relacionadas ao porto ou região em que era realizado o comércio de escravos com os europeus.

Assim, com base nesse sistema, a etnia banto foi dividida em “nações”, sendo algumas delas:
Angola, para os embarcados em Luanda.
Benguela, para os embarcados em Benguela.
Cabinda, para os embarcados em Cabinda.
Congo, para os embarcados em Loango e Malemba.e Moçambique,
Maputo para os embarcados em Moçambique .

Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados eram logo submetidos a aculturação portuguesa, traduzida principalmente na catequese católica: eram batizados e recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam conhecidos a partir daquele momento.
NO PERÍODO COLONIAL CALUNDU Assim como os tupis, os bantos também tentaram preservar suas tradições religiosas no Brasil, adaptando suas crenças às condições de escravidão a que estavam submetidos. A principal forma encontrada por eles (a semelhança do que foi feito pelos tupis décadas antes) foi associar os santos católicos aos seus deuses, no caso os Inquices, de acordo com as características que ambos (santos e Inquices) possuíam em comum.
Foi a partir deste sincretismo, ocorrido no interior das senzalas a partir do final do século XVI, que nasceu a primeira manifestação sincrética da religiosidade banto-católica no Brasil: o Calundu. Seu nome foi originado da palavra banto calundu, que até o século XVIII foi utilizada para designar genericamente a manifestação de práticas africanas relacionadas a danças e cantos coletivos, acompanhadas por instrumentos de percussão, nas quais ocorria a invocação e incorporação de espíritos e curas por meio de rituais de magia.

Como manifestação sincrética banto-católica, o Calundu era organizado basicamente em torno de seu chefe de culto e englobava uma grande variedade de cerimônias que associavam elementos bantos (atabaques, transe mediúnico, banhos de ervas, trajes rituais, sacrifícios de animais),etc.

CASAS DE CANDOMBLÉ
Ao longo dos séculos XVII e XVIII, cresce o número de cidades em todo o país, particularmente na região mineradora, em parte devido as características dessa atividade econômica. Devido a esse fato, surge uma situação completamente nova em todo o território colonial: o aumento do número de negros e mulatos alforriados (livres) e de escravos circulando com relativa liberdade nessas áreas urbanas. É a partir das residências desses negros e mulatos livres, localizadas em sua grande maioria em casebres e cortiços, que as manifestações religiosas de origem africana encontraram condições mínimas para se desenvolverem, locais onde os afro-descendentes poderiam realizar suas festas com certa frequência e construírem e preservarem os altares com os recipientes consagrados aos seus deuses. E são nessas residências que surge, em fins do século XVIII e início do século XIX, uma nova manifestação brasileira, que ficou conhecida na Bahia, MG e ES e Pernambuco como Casas de Candomblé. O Candomblé surge com base no fortalecimento das tradições religiosas bantos preservadas do Calundu e a assimilação de algumas práticas indígenas que sobreviviam nos quilombos e nas aldeias indígenas dos arredores deles. É interessante notar a importante relação de ajuda mútua que existia entre as Casas de Candomblé e os quilombos que se localizavam mais próximo das zonas urbanas. Devido a servirem como moradia e também como local de culto, as Casas de Candomblé se estruturam com base nas famílias-de-santo, que estabeleceu entre seus adeptos uma espécie de parentesco religioso, característica que foi um importante legado. Além dos fundamentos básicos dessas manifestações, que são comuns a todos os locais de culto, existem pequenas variações ritualísticas nesses lugares, as quais estão intrinsecamente relacionados aos seus dirigentes, o que fez de cada um deles único em seu formato ritualístico.

A partir da década de 1840 intensifica-se o tráfico de escravos da etnia sudanesa através da Rota da Mina, que tinha como origem os portos africanos de Lagos, Calabar e, principalmente, São Jorge da Mina, superando no período todas as demais em termos de escravos trazidos ao Brasil. A etnia sudanesa era originada principalmente da África Ocidental, na região onde hoje estão localizados Nigéria, Benin, Togo e Gana e é formada pelos povos iorubá, ewe, fon e mahin, entre outros.
Apesar de inicialmente muitos terem ficados conhecidos apenas como mina, ao longo do século XIX os escravos da etnia sudanesa passaram a ser conhecidos sobre outra nomenclatura, devido a rivalidade e a diferença cultural existente entre os povos iorubá e ewe/fon,que foi transportada da África para o Brasil junto com eles. Dessa forma, o povo iorubá passou a ser conhecido no Brasil como minanagô ou nagô, enquanto os povos ewe, fon e mahin ficaram conhecidos como mina-jeje ou jeje, termo este que advém do iorubá adjeje
que significa estrangeiro, forasteiro e era usada de forma pejorativa pelos iorubás para designar as pessoas que habitavam a leste de seu território. Os nagôs que foram trazidos para o Brasil tinham como idioma a língua iorubá e cultuavam um deus supremo chamado de Olorun ou Olodumaré e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Orixás. Apesar de na África existirem cerca de 400 Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em
várias localidades.
Os jejes que foram trazidos para o Brasil cultuavam uma divindade suprema chamada de Mawu e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Voduns. Apesar de na África existirem cerca de 450 Voduns, e a exemplo do que ocorreu com os Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em várias localidades.
Assim como ocorreu com os bantos, os escravos iorubás e fons trouxeram para o Brasil parte de sua cultura e de suas crenças religiosas, que foram pouco a pouco levadas para dentro de algumas manifestações aqui existente, devido aos negros alforriados e aos escravos fugidos que buscavam refúgio nos quilombos, levando ao aparecimento de diversas religiões africanas em solo brasileiro no século XIX, muitas delas com base nas Casas de Candomblé.
Com a intensificação da adição de elementos Yorubás às Casas de Candomblé no séc. XIX, estas acabaram por dar origem a uma nova religião brasileira conhecida como Candomblé de Nação a qual encerra dentro de si três modelos de culto relacionados as principais etnias e povos trazidos como escravos para o Brasil: a banto, a Yorubá nagô e a jeje. O modelo de culto banto é o mais difundido em todo o Brasil, podendo ser encontrado principalmente nos estados da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Pernambuco, de Minhas
Gerais, de Goiás e do Rio Grande do Sul. Ele é formado pelas nações Angola, Congo e Muxicongo, cuja principal diferença reside na língua de origem banto utilizada nos rituais. Apesar dessa diferença na língua, existe uma grande semelhança entre os rituais, o que faz com que atualmente alguns pesquisadores considerem todas as nações fundidas na Nação Angola.
O modelo de culto yorubá nagô é formado pelas nações Ketu (ou Queto), Efã e Ijexá. O Candomblé de Nação Ketu é praticado em quase todo o Brasil, principalmente na Bahia, sendo o que apresenta atualmente a maior divulgação nacional entre todos os Candomblés de Nação, devido ao grande número de escritores e cantores baianos que passaram a divulgá-lo. O Candomblé de Nação Efã é praticado principalmente nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O Candomblé de Nação Ijexá é praticado principalmente na Bahia.

O modelo de culto jeje é formado pelas nações Jeje-Fon e Jeje-Mahin. Tanto o Candomblé de Nação Jeje-Fon quanto o Candomblé de
Nação Jeje-Mahin são praticados principalmente na Bahia, podendo ser encontrados também no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e
em São Paulo.
Os Candomblés de Nação Angola, Congo e Muxicongo cultuam um deus supremo chamado Nzambi ou Zambi (também conhecido como Nzambi Mpungu ou Zambiapongo) e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Inquices. Os atabaques são tocados com as mãos e as cantigas possuem muitos termos em português.
Os fundamentos dos Candomblés de Nação do modelo de culto banto, muitos dos quais incluem ou são baseados nas histórias, lendas e mitos acerca dos Inquices, são passados oralmente pelos sacerdotes da religião, chamados de Tata Nkisi (masculino) ou Mametu Nkisi (feminino).
Além do jogo de búzios, os Candomblés de Nação Angola, Congo e Muxicongo utilizam um outro sistema de comunicação chamado de Ngombo, cujo responsável pela prática é conhecido como Kambuna.

O Princípio do Candomblé no Brasil
Os Bantu, no Brasil, têm um papel preponderante na formação da nacionalidade brasileira.
E, nesse sentido, muitos estudos têm sido elaborados, para exemplificar às contribuições linguísticas ao português brasileiro, sobretudo as advindas do Kimbundo e do Kikongo. Quanto aos estudos sobre as contribuições na área da cultura popular, caso das congadas, dos reinados e da capoeira de Angola, observa-se que, além das pesquisas já concluídas, há vários estudiosos empenhados em desenvolvê-las.
No entanto, na área das religiões de matriz bantu no Brasil, existe uma enorme carência de estudos, pois muito pouco ou quase nada tem sido feito desde que nossos pioneiros na pesquisa do africano. O sigilo do sagrado Bantu é respeitado.

Festejos de Mutakalambo Ngongombila

Mtakalambô, Mutak’lamb’ngunzo, Cabila e Ngongombila são nomes que revelam a natureza do caçador e a face divina de Deus como provedor. Essa Divindade é responsável pela manutenção da tribo e ainda tem a função de manter a vigilância noturna nas aldeias garantindo-lhes a segurança. Está ligado a abundância de alimentos na Nzo (casa) de culto, proporcionando a fartura, a alimentação, a bem-aventurança financeira dos filhos de santo.

Feitura de Santo

Para você renascer espiritualmente, precisa abandonar o passado. Isso exige coragem. E dentro de você já existe coragem para tanto. Acredite no poder do seu Orixá/Nkise, entregue-se a ele e se atire decididamente no oceano de axé. E não tenha medo de afundar, pois flutuará milagrosamente e terá grande tranquilidade.

O candomblé possui um sofisticado código ritualístico, elaborado para organizar o fazer das casas de axé.

O ritual de iniciação no Candomblé, a feitura no santo, representa um renascimento, tudo será novo na vida do iniciado ele receberá inclusive um nome pelo qual passará a ser chamado dentro da comunidade do Candomblé.

A feitura tem por início no recolhimento. Nestes dias de reclusão, e neste prazo são realizados banhos, boris, oferendas, ebós, todo o aprendizado começa, as rezas, as dança, as cantigas…

Mas nem todos estão preparados para isso. Ainda presos nas vaidades do mundo, pra muitos perder os cabelos pesa. Estar recolhido afastado das redes sociais e da vida mundana pesa. Afinal é muita responsabilidade viver para o Nkise, me entregar verdadeiramente ao sagrado. Por isso feitura de Santo não é pra todo mundo. Requer mais que rituais e mudança de vida. O ser antigo tem de morrer para o novo renascer para o Nkise/Orixá.

Toda mudança exige esforço. Mas a maioria vive a desculpa eterna da imperfeição, nunca estar preparado, estar sempre na busca… Mas quando são chamados não dão conta, pois na verdade não se quer abrir mão do velho ser.

Para você renascer espiritualmente, precisa abandonar o passado. Isso exige coragem. E dentro de você já existe coragem para tanto. Acredite no poder do seu Orixá/Nkise, entregue-se a ele e se atire decididamente no oceano de axé. E não tenha medo de afundar, pois flutuará milagrosamente e terá grande tranquilidade.

PEDIR A BENÇÃO!

Mukuiu – (macuiu) é um pedido de bênçãos (para a nação Bantu) a resposta é Mukuiu NZambi (ou seja que Deus te abençoe); 

Pedir a bênção, no Candomblé, faz parte da hierarquia e da rotina das casas, onde todos se cumprimentam, saudando-se e trocando bênçãos, num gesto bonito e humilde de relacionamento.

A benção é uma forma de demonstrar nossa humildade perante as divindades. Quando uma pessoa responde a um pedido de benção, essa é uma resposta do Orixá, utilizando-se de sua boca para se comunicar e de suas mãos para trocar naquele que a pediu. O homem não tem o poder divino de bendizer ou de abençoar seus semelhantes. Ele é somente ferramenta utilizada pelas divindades.

O Ilê

Não há necessidade de luxo, somente amor

Também conhecido como Ilê Axé, é o local sagrado para o povo santo onde acontecem as festas públicas, e pode abrigar uma grande parte dos convidados. No local central (sob o solo) estão fixados, “plantados” os fundamentos do  da Terra. Todos os adeptos reverenciam seus orixás , Nkises e ancestrais em sinal de respeito e amor.

Solo sagrado

Também conhecido como Ilê Axé, é o local sagrado para o povo do santo, onde acontecem as festas públicas, e pode abrigar uma grande parte dos convidados. No local central (sob o solo) estão fixados, “plantados” os fundamentos do orixá da Terra. Todos os adeptos reverenciam seus orixás e ancestrais em sinal de respeito e amor.

Compreendendo que aquilo que é sagrado emana da consciência daquele que acredita e cultua determinada religião. Isso significa que podemos olhar para o sagrado como uma categoria epistemológica, isto é, o sujeito determina o que é sagrado pra ele/ela partindo da sua própria experiência. Pensando assim, temos infinitas possibilidades de produção de diversos lugares sagrados. Essa diversidade de expressões religiosas na sociedade contemporânea marca nosso tempo-espaço com a beleza da pluralidade, e também, com os desafios impostos pela intolerância e fundamentalismos.

Construir um mundo mais humano e receptivo a liberdade de expressão, liberdade de culto, liberdade de pensamento é uma tarefa coletiva. Por essa razão entendemos o espaço como produto de inter-relações, portanto, deve existir a diversidade. O que inclui como pressuposto a diversidade religiosa.
Com o processo de globalização o contato entre as religiões vem ascendendo, resulta dessa dinâmica um aumento da consciência no que diz respeito as semelhanças e diferenças entre as distintas comunidades religiosas. Fruto dessas interações resulta o reforço das diferenças e animosidades entre o que é considerado dessemelhante, superar essa questão é contribuir para o desenvolvimento daquilo que chamamos civilização. Precisamos nos questionar sobre o que temos em comum, para isso, é necessário um olhar atento procurando conhecer a realidade do outro. “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”. (SANTOS, 2000, p. 17)

Ilê de Oxum Março 2022

Sem Erva não tem Axé.

Está aí a regra número um nos cultos de origem afro.

Se a mata possui uma alma além do mistério esta é a folha, que a mantém viva pela respiração, que a caracteriza pela cor e aparência, que sombreia seu solo permitindo, através do frescor, a propensão à semeadura. “Kosi ewe, kosi Orisa”, diz um velho provérbio nagô: “sem folha não há Orixá”, que pode ser traduzida por “não se pode cultuar orixás sem usar as folhas”, define bem o papel das plantas nos ritos. Falar das folhas no culto afro-brasileiro é muito complexo, pois nas diversas nações que existem dentro do culto, as folhas recebem nomes e funções diferentes. As folhas de determinado orixá entram também no culto de outro, pois existem combinações de folhas de um orixá para o outro.

Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e  considerações dos nomes, fato que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Axé. Temos que ter muita consciência de como usá-las para que não sejamos pegos de surpresa por energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o  sumo da Erva em contato com nosso corpo, quando a colhemos. Porém folha é para trazer energias boas e positivadas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se é necessário para o individuo que a usa. As plantas são usadas para lavar e sacralizar os objetos rituais, para purificar a cabeça e o corpo dos sacerdotes nas etapas iniciáticas, para curar as doenças e afastar males de todas as origens. Mas a folha ritual não é simplesmente a que está na natureza, mas aquela que sofre o poder transformador operado pela intervenção de Ossãe, cujas rezas e encantamentos proferidos pelo devoto propiciam a liberação do axé nelas contido. Há algumas décadas a floresta fazia parte do cenário e as folhas estavam todas disponíveis para colheita e sacralização. Com a urbanização, o mato rareou nas cidades, obrigando os devotos a manter pequenos jardins e hortas para o cultivo das ervas sagradas ou então se deslocar para sítios afastados, onde as plantas podem crescer livremente. Com o passar do tempo, novas especializações foram surgindo no âmbito da religião e hoje as plantas rituais podem ser adquiridas em feiras comuns de abastecimento e nos estabelecimentos que comercializam material de culto. 
O elemento vegetal é muito importante para a manutenção e equilíbrio dos seres vivos. Através de processos variados os vegetais retiram o Prana da natureza, seja através do Sol, da Lua, dos planetas, da terra, da água, etc. São, portanto, grandes reservas de éter vital e que através dos tempos, o ser humano, descobriu estas propriedades. Usamos os vegetais, desde a alimentação até a magia, sempre transformando a energia vital, através de processos e rituais.

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Família de santo

Candomblé é família! Quem ainda não entendeu isso ,não entendeu candomblé.

Família de Santo é um termo usado no candomblé e nas religiões afro-brasileiras, que significa pessoas do mesmo axé. É como uma família, onde o filho-de-santo, sempre tem um pai-de-santo, uma mãe-de-santo até chegar no primeiro africano que trouxe o axé da África. Em virtude da falta de documentação escrita e o analfabetismo e cultura oral dos africanos no inicio da colonização, poucos são os que conseguem fazer a árvore genealógica de sua família natural ou mesmo da família de santo.
No Candomblé, é muito importante a ancestralidade, pois toda Casa de Candomblé teve início através do axé transmitido, só quem recebeu o Axé é que pode transmiti-lo. Quando se menciona uma pessoa do Candomblé, a primeira coisa que perguntam é: ele é filho de quem?
Nas casas mais antigas, que conseguiram manter a tradição, o Axé foi transmitido e preservado, e deve ser passado aos mais novos, para que a cultura não se perca.
Candomblé é família, e esta se une pela fé, pelo amor ao sagrado que deve ser preservado e honrado não só com rituais, mas também com atitudes de mudança verdadeira do ser. Família, onde uns auxiliam os outros, onde se acolhe e transmite amor.