PEDIR A BENÇÃO!

Mukuiu – (macuiu) é um pedido de bênçãos (para a nação Bantu) a resposta é Mukuiu NZambi (ou seja que Deus te abençoe); 

Pedir a bênção, no Candomblé, faz parte da hierarquia e da rotina das casas, onde todos se cumprimentam, saudando-se e trocando bênçãos, num gesto bonito e humilde de relacionamento.

A benção é uma forma de demonstrar nossa humildade perante as divindades. Quando uma pessoa responde a um pedido de benção, essa é uma resposta do Orixá, utilizando-se de sua boca para se comunicar e de suas mãos para trocar naquele que a pediu. O homem não tem o poder divino de bendizer ou de abençoar seus semelhantes. Ele é somente ferramenta utilizada pelas divindades.

O Ilê

Não há necessidade de luxo, somente amor

Também conhecido como Ilê Axé, é o local sagrado para o povo santo onde acontecem as festas públicas, e pode abrigar uma grande parte dos convidados. No local central (sob o solo) estão fixados, “plantados” os fundamentos do  da Terra. Todos os adeptos reverenciam seus orixás , Nkises e ancestrais em sinal de respeito e amor.

Solo sagrado

Também conhecido como Ilê Axé, é o local sagrado para o povo do santo, onde acontecem as festas públicas, e pode abrigar uma grande parte dos convidados. No local central (sob o solo) estão fixados, “plantados” os fundamentos do orixá da Terra. Todos os adeptos reverenciam seus orixás e ancestrais em sinal de respeito e amor.

Compreendendo que aquilo que é sagrado emana da consciência daquele que acredita e cultua determinada religião. Isso significa que podemos olhar para o sagrado como uma categoria epistemológica, isto é, o sujeito determina o que é sagrado pra ele/ela partindo da sua própria experiência. Pensando assim, temos infinitas possibilidades de produção de diversos lugares sagrados. Essa diversidade de expressões religiosas na sociedade contemporânea marca nosso tempo-espaço com a beleza da pluralidade, e também, com os desafios impostos pela intolerância e fundamentalismos.

Construir um mundo mais humano e receptivo a liberdade de expressão, liberdade de culto, liberdade de pensamento é uma tarefa coletiva. Por essa razão entendemos o espaço como produto de inter-relações, portanto, deve existir a diversidade. O que inclui como pressuposto a diversidade religiosa.
Com o processo de globalização o contato entre as religiões vem ascendendo, resulta dessa dinâmica um aumento da consciência no que diz respeito as semelhanças e diferenças entre as distintas comunidades religiosas. Fruto dessas interações resulta o reforço das diferenças e animosidades entre o que é considerado dessemelhante, superar essa questão é contribuir para o desenvolvimento daquilo que chamamos civilização. Precisamos nos questionar sobre o que temos em comum, para isso, é necessário um olhar atento procurando conhecer a realidade do outro. “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”. (SANTOS, 2000, p. 17)

Ilê de Oxum Março 2022

Sem Erva não tem Axé.

Está aí a regra número um nos cultos de origem afro.

Se a mata possui uma alma além do mistério esta é a folha, que a mantém viva pela respiração, que a caracteriza pela cor e aparência, que sombreia seu solo permitindo, através do frescor, a propensão à semeadura. “Kosi ewe, kosi Orisa”, diz um velho provérbio nagô: “sem folha não há Orixá”, que pode ser traduzida por “não se pode cultuar orixás sem usar as folhas”, define bem o papel das plantas nos ritos. Falar das folhas no culto afro-brasileiro é muito complexo, pois nas diversas nações que existem dentro do culto, as folhas recebem nomes e funções diferentes. As folhas de determinado orixá entram também no culto de outro, pois existem combinações de folhas de um orixá para o outro.

Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e  considerações dos nomes, fato que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Axé. Temos que ter muita consciência de como usá-las para que não sejamos pegos de surpresa por energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o  sumo da Erva em contato com nosso corpo, quando a colhemos. Porém folha é para trazer energias boas e positivadas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se é necessário para o individuo que a usa. As plantas são usadas para lavar e sacralizar os objetos rituais, para purificar a cabeça e o corpo dos sacerdotes nas etapas iniciáticas, para curar as doenças e afastar males de todas as origens. Mas a folha ritual não é simplesmente a que está na natureza, mas aquela que sofre o poder transformador operado pela intervenção de Ossãe, cujas rezas e encantamentos proferidos pelo devoto propiciam a liberação do axé nelas contido. Há algumas décadas a floresta fazia parte do cenário e as folhas estavam todas disponíveis para colheita e sacralização. Com a urbanização, o mato rareou nas cidades, obrigando os devotos a manter pequenos jardins e hortas para o cultivo das ervas sagradas ou então se deslocar para sítios afastados, onde as plantas podem crescer livremente. Com o passar do tempo, novas especializações foram surgindo no âmbito da religião e hoje as plantas rituais podem ser adquiridas em feiras comuns de abastecimento e nos estabelecimentos que comercializam material de culto. 
O elemento vegetal é muito importante para a manutenção e equilíbrio dos seres vivos. Através de processos variados os vegetais retiram o Prana da natureza, seja através do Sol, da Lua, dos planetas, da terra, da água, etc. São, portanto, grandes reservas de éter vital e que através dos tempos, o ser humano, descobriu estas propriedades. Usamos os vegetais, desde a alimentação até a magia, sempre transformando a energia vital, através de processos e rituais.

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Família de santo

Candomblé é família! Quem ainda não entendeu isso ,não entendeu candomblé.

Família de Santo é um termo usado no candomblé e nas religiões afro-brasileiras, que significa pessoas do mesmo axé. É como uma família, onde o filho-de-santo, sempre tem um pai-de-santo, uma mãe-de-santo até chegar no primeiro africano que trouxe o axé da África. Em virtude da falta de documentação escrita e o analfabetismo e cultura oral dos africanos no inicio da colonização, poucos são os que conseguem fazer a árvore genealógica de sua família natural ou mesmo da família de santo.
No Candomblé, é muito importante a ancestralidade, pois toda Casa de Candomblé teve início através do axé transmitido, só quem recebeu o Axé é que pode transmiti-lo. Quando se menciona uma pessoa do Candomblé, a primeira coisa que perguntam é: ele é filho de quem?
Nas casas mais antigas, que conseguiram manter a tradição, o Axé foi transmitido e preservado, e deve ser passado aos mais novos, para que a cultura não se perca.
Candomblé é família, e esta se une pela fé, pelo amor ao sagrado que deve ser preservado e honrado não só com rituais, mas também com atitudes de mudança verdadeira do ser. Família, onde uns auxiliam os outros, onde se acolhe e transmite amor.

Ilê de Oxum

O Ilê de Oxum se fundamenta na prática da caridade acolhendo a quem precisar de amor,sendo casa de oxum aqui prevalece o amor universal, sem preconceitos de nehuma forma. Juntamente com o estudo aprofundado do candomblé e da cultura negra em Bantu/Iorubá.

É constituido por regras ancestrais dos cultos de Nação referente a comida ritualística, assentamento, organização e trato com orixás e seus rituais. Está assentado a Orixa Oxum. Por fim, é pautado no acolhimento e na caridade.

A vida

“Quando sua vida começa, você tem apenas uma mala pequenina na mão…”. A medida em que os anos vão passando, a bagagem vai aumentando. Porque existem muitas coisas que você recolhe pelo caminho… Porque pensa que não é importante.

A um determinado ponto do caminho começa a ficar insuportável carregar tantas coisas.

Pesa demais…

Então você pode escolher:

Ficar sentado à beira do caminho, esperando que alguém o ajude, o que é difícil.

Pois todos que passarem por ali já terão sua própria bagagem.

Ou você pode aliviar o peso, esvaziando a mala. Mas o que tirar?

Você começa tirando tudo para fora, e vendo o que tem dentro…
Amizade…

Nossa! Tem bastante, e curioso… Não pesa nada!

Mas tem algo pesado…

Você faz força para tirar…

É a raiva, como ela pesa.

Ai você começa a tirar, tirar, e aparecem à incompreensão, o medo, o pessimismo…

Nesse momento, o desânimo quase te leva para dentro da mala…

Mas você puxa-o para fora com toda a força, e aparece um sorriso, que estava sufocada no fundo de sua bagagem…

Pula para fora outro sorriso e mais outro, e ai saem à felicidade…

Você coloca as mãos dentro da mala de novo e tira pra fora a tristeza…

Agora, você vai ter que procurar a paciência dentro da mala, pois você vai precisar bastante…

Procure então o resto:

Força, esperança, coragem, entusiasmo, equilíbrio, responsabilidade, tolerância, bem humor…

Tira a preocupação também, e deixa de lado. Depois você pensa o que fazer com ela… Bem, sua bagagem está pronta para ser arrumada de novo! Mas pensa bem o que você vai colocar lá dentro!

Agora é com você…

E não se esqueça de fazer isso mais vezes…

Pois o caminho é Muito, muito longo.”

Axé.

Não há Candomblé sem conhecimento!

Candomblé é prática!

Ninguém abre casa lendo Pierre Verger.
Ninguém aprende fundamento observando as pinturas do Carybé.
Ninguem reza um encantado lendo whatszapp. Ninguém raspa um yao seguindo instruções da internet .
Ninguém tira ebó com listas do Google .
Livro nenhum vai ter a mesma força de yawo/abiã quando senta para aprender com as palavras dos mais velhos.
Nenhum ebó tem mais resultado do que aquele que você já passou e já ajudou seu zelador a fazer .
Nosso livro sagrado é a oralidade e isso é o que temos de mais preciso. A teoria é linda, porém nossas praticas são insubstituíveis.
Candomblé se faz no terreiro, não na internet.

Axé.