Quem é o Sacerdote no Candomblé?

Dentro do Candomblé, para quem não sabe, vivemos num sistema de regras, chamado de Humbe (educação de axé, pra facilitar), que inclui a hierarquia. Nesse contexto existem muitas regras de comportamento, onde o mais importante é o respeito. Conseguimos viver dentro dos Templos, costumes esquecidos na vida social atual. Esses costumes priorizam os idosos e as crianças, as grávidas e os debilitados. Introduzimos conceitos em nossos Templos, que são raros no mundo aqui fora, atualmente.
A gente cala quando o mais velho fala.
A gente não responde aos mais velhos.
A gente pede a bênção aos mais velhos.
A gente espera os mais velhos e as crianças para comer e eles tem prioridade.
A gente cuida um do outro, como uma família.
A gente não faz distinção de pessoas.
A gente ganha um monte de mães e um monte de pais dentro do Templo.
A gente entende que se um está em dificuldades, ninguém está bem, porque “Ajò” quer dizer união e não tem Axé se não tiver ajò.
Nossos Sacerdotes nos ensinam a ter responsabilidade com detalhes que para muitos passavam desapercebidos.
O Candomblé é quase uma utopia. Mas não chega a ser, porque todos lutam para cumprir as regras e um apoia o outro que ainda não atingiu ou entendeu o objetivo.
O Sacerdote, é quem ouve nossas lamúrias, guarda nossos maiores segredos e nos indica o melhor caminho, quando temos dúvidas. É normalmente um dos primeiros a conhecer nossas vitórias e na maioria das vezes, o primeiro a saber da derrota. É também a pessoa que briga quando erramos, puxa nossas orelhas, mas não solta a gente no mundo por causa disso.
É para isso também, o Sacerdote.
Tem muito Pai e muita Mãe carnal, que faz queixa dos filhos para os sacerdotes deles, sabia? O Sacerdote também vira apoio para a família, na luta pra endireitar o torto.
Vida de sacerdote é isso. A gente ganha um filho de santo, que trás na bagagem uma vida inteirinha para a gente cuidar, tipo um Kinder ovo… rs rs

A gente acaba amando cada um deles e alguns nos amam também.

Viva o ajò!
Viva o Asé!

Crédito
Sandra Villarinho.

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