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Mito não é apenas uma mentira. Às vezes é uma meia-verdade, uma ideia distorcida, ou um eco de preconceitos antigos. No caso do Candomblé, os mitos que cercam a religião são frutos da intolerância, do racismo e da ignorância. Este texto é um convite para romper esse ciclo, com respeito, escuta e informação.
Mito 1: “Candomblé é coisa do demônio”
Esse é o mito mais violento e persistente. O conceito de demônio é exclusivo das tradições judaico-cristãs e não existe no Candomblé nem na cosmologia iorubá.
Chamar uma religião ancestral de “coisa do demônio” é ato de intolerância e desinformação.
Mito 2: “Orixás são santos católicos”
Essa confusão nasceu do sincretismo religioso. Os africanos escravizados foram forçados a esconder seus cultos e associaram orixás a santos católicos como forma de resistência. Oxum foi associada a Nossa Senhora Aparecida. Ogum a São Jorge. Mas orixá não é santo. Orixá é natureza viva, é energia ancestral. A semelhança é estratégica, não teológica.
Mito 3: “Todos no Candomblé incorporam”
A incorporação é uma das formas de manifestação dos orixás, mas nem todos os filhos de santo incorporam. A religião tem muitos papéis e funções:
- Ogãs: tocam os atabaques, não incorporam
- Equedes: cuidam dos orixás e dos filhos em transe
- Abiãs: iniciantes, em preparação espiritual
A incorporação é importante, mas o axé está presente em cada função.
Mito 4: “Precisa abandonar outras crenças para entrar no Candomblé”
Não. O Candomblé não impõe rupturas, mas propõe entrega e compromisso. Muitos filhos de santo passaram por outras religiões antes. Cada caminhada é única.
A religião não exige abandono, exige verdade.
Mito 5: “Candomblé é só para pessoas negras”
O Candomblé é uma religião de matriz africana, mas é aberta a todas as pessoas. O que importa é o respeito, a entrega e a vontade de seguir o caminho dos orixás com verdade. No terreiro, o axé não escolhe cor: escolhe intenção.
Mito 6: “Candomblé e Umbanda são a mesma coisa”
São religiões irmãs, mas diferentes:
- A Umbanda mistura espiritismo, catolicismo e elementos afro-brasileiros.
- O Candomblé é tradicional, com liturgia africana, iniciações e ritos fechados.
Ambas merecem respeito. Mas confundi-las é ignorar suas particularidades.
Mito 7: “O Candomblé é atrasado ou primitivo”
Essa é uma das formas mais veladas de racismo. O Candomblé tem saberes milenares sobre:
- Fitoterapia
- Psicologia ancestral
- Comunidade
- Cosmologia
- Ritmo e cura
Não há nada de “primitivo” em uma religião que resistiu por mais de 500 anos com sabedoria, organização e axé.Desmistificar não é debochar. É educar com empatia. É abrir espaço para o diálogo, para a escuta, para o entendimento entre fés e culturas.
Falar do Candomblé com verdade é proteger o que é sagrado. É garantir que as próximas gerações possam conhecer a religião sem medo, sem vergonha, sem mentira.
O conhecimento é ferramenta de liberdade. E a liberdade é fundamento de toda religião que respeita a vida.