A mulher, em nossa cosmovisão Kongo Angola, ocupa um lugar de centralidade e reverência inquestionáveis. Sua importância transcende o papel social, alcançando o âmago da nossa espiritualidade. Ela é a manifestação terrena do Sagrado Feminino, a representação da força geradora de Nzambi e das Nkisi femininas.
- Geradora da Vida e do Axé: Assim como a mulher gera e nutre a vida física em seu ventre, no kilombo ela é vista como a geradora do axé. Muitas Nenguas Nkisi (Mães de Santo) são as fundadoras e mantenedoras das casas, o útero onde a fé se manifesta e se multiplica. Elas são responsáveis por “parir” novos filhos de santo, iniciando-os e nutrindo-os espiritualmente.
- Nutridora e Cuidadora: A energia feminina é, por natureza, nutridora e acolhedora. As mulheres no Candomblé Angola, especialmente as Nenguas e as Makotas, são as grandes cuidadoras do kilombo. Elas zelam pelos filhos, pelos Nkisi, pela manutenção da casa, garantindo que o axé flua em harmonia e que todos se sintam amparados. Elas têm a sensibilidade para perceber as necessidades da comunidade e agir com a sabedoria do afeto.
- Guardiã do Conhecimento e da Tradição: As mulheres são frequentemente as guardiãs da memória, dos cânticos, das rezas e dos fundamentos. Elas transmitem oralmente o conhecimento de geração em geração, assegurando a continuidade da tradição. Muitas Makotas e Nenguas são verdadeiras bibliotecas vivas de nossa fé, com um saber ancestral que se manifesta na prática diária e no ensino.
- Força Espiritual e Resiliência: Historicamente, as mulheres africanas e afro-brasileiras demonstraram uma resiliência e uma força espiritual inabaláveis. No Candomblé Angola, essa força é celebrada e reconhecida como um pilar de sustentação para a comunidade, especialmente em tempos de adversidade.
Mametu – Monajimu